sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Guia prático para sobreviver em um mundo hipócrita de aparências

O mundo é um lugar hipócrita e, até certo ponto, isso é algo positivo. O filósofo Luiz Felipe Pondé utiliza vários exemplos de como a hipocrisia salvou a humanidade. Um exemplo rápido é um jantar de família em que sua cunhada lhe pergunta: "Estou fazendo uma dieta, você está me achando mais magra?". Mesmo que você a esteja achando mais gorda, responder que "não" seria o mesmo que criar uma guerra familiar irrecuperável.

É claro que o filósofo se refere a pequenas hipocrisias do dia a dia. Mentirinhas "saudáveis" que mantem a convivência com os outros minimamente possível.

Esse exemplo me lembra das pessoas que dizem "Eu sou verdadeira, falo mesmo na cara" - até o momento, todo mundo que conheci e que dizia ser excessivamente honesto eram, na verdade, apenas pessoas grosseiras e mal educadas.

O que parece incomodar a maioria das pessoas são as grandes hipocrisias. Fingir que é o que não se é. Uma coisa é você não falar, educadamente, que uma pessoa parece mais gorda. Outra, completamente diferente, é você ser extremamente gentil, sorridente e amigável com uma pessoa que não gosta. Essa é uma hipocrisia desnecessária.

Redes Sociais e Máscaras

As redes sociais criaram uma cultura de aparências ainda mais forte (elas sempre existiram, é óbvio), já que o ambiente é muito mais controlado, tornando muito mais fácil um sujeito expressar exatamente o que ele quer. Na vida "cara a cara" é um pouco mais difícil você pensar, na hora, se algo será inconveniente ou não de ser dito.

O psicólogo Carl Jung utiliza o termo "persona" (que derivou a palavra personalidade) para designar as máscaras sociais que usamos em determinadas situações. Somos seres diferentes em cada situação - estar ciente disso é essencial para ter uma vida social e emocional saudável. Algumas pessoas tornam-se doentes por confundirem a si mesmas com as máscaras que usam.

Guia para sobrevivência

Joseph Campbell, especialista em mitologia e sociedades de todos os níveis, em sua gigantesca obra "O Poder do Mito", fala sobre como as sociedades, desde as mais primitivas até as mais complexas, criaram formas para sobreviver nesse mundo de aparências. Sua resposta para isso, advinda da sabedoria de vários povos é: entre no jogo.

Entrar no jogo é obter a compreensão, o quanto antes, de que o mundo é assim e que não iremos mudá-lo. As pessoas são hipócritas, as convenções sociais são articulações superficiais e que o ser humano é assim mesmo e pronto. Não adianta reclamar - inclusive, quem reclama é, provavelmente, do mesmo jeito, apenas um reclamão chato.

Aceite as regras do jogo. Usar as máscaras sociais (personas) a seu favor, controlando e determinando seu modo de agir, é aumentar sua eficácia para seus objetivos em várias circunstâncias. Não seja um mero controlado, como a maioria das pessoas, que apenas vive suas vidas e usa suas máscaras sem saber. Conheça-as e desenvolva o melhor que há nelas.

E onde fica a sinceridade?

Ficam com as pessoas que realmente merecem isso. As pessoas especiais do seu convívio. Não dê pérolas aos porcos, diria Jesus. O seu melhor deixe reservado para as melhores pessoas.

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