terça-feira, 8 de novembro de 2016

A psicopatologia da vida cotidiana ou como expomos nosso lado escuro

Sigmund Freud é a figura paterna da psicologia moderna. Foi um filósofo muito mais que um cientista, mas descobriu coisas importantes para a sociedade e que servem como insights essenciais nos dias atuais. Em seu livro "A Psicopatologia da Vida Cotidiana", Freud mostra como, mesmo tentando esconder nosso pior lado, estamos sempre a expô-lo de todas as maneiras.

A hipótese mais famosa exposta nesta obra do psicanalista é o "ato falho", ou seja, quando cometemos enganos, principalmente na fala, que revelam o que realmente queríamos dizer. Por exemplo:

Um rapaz diz para uma garota: "Você é minha amante... quero dizer... minha amada". Esse pequeno "erro" revela que ele a vê como uma amante, alguém secundário, e não a sua amada verdadeira.

É claro que o próprio Freud não é ingênuo de achar que a primeira explicação que nos vier será a correta. É preciso ter cautela ao interpretar os erros de uma outra pessoa.

Para quem não lembra, o jornalista César Tralli chamou o cantor Chorão, do Charlie Brown Jr de "Cheirão", um claro ato falho ao vivo na TV (veja o vídeo abaixo):


Não pense, no entanto, que os atos falhos ou as psicopatologias da vida cotidiana funcionam apenas na fala - elas estão sobre todo o corpo. Se você oferece a mão para uma pessoa que, de maneira não-proposital, não lhe dá a mão, talvez ela tenha algo contra você que queira esconder. Um exemplo dado por Freud foi de um homem que colocou a bolsa sobre a cadeira ao seu lado, assim ninguém se sentaria, mas que o próprio homem jurou que o gesto foi inconsciente.

Confissões

Uma questão que pode vir a ser analisada segundo o ponto de vista da Psicopatologia da Vida Cotidiana são as confissões ou as transformações como uma forma de revelar o verdadeiro ser. Um jovem vai ao padre e confessa seus pecados, mas adverte: "Eu mudei, a partir de agora sou diferente. As pessoas antes não confiavam em mim, mas elas não sabem que eu mudei". O que ele pode estar querendo dizer, afinal, é que não mudou, que continua o mesmo, por isso insiste tanto na ideia de que se modificou - é uma maneira do seu consciente se sentir menos pressionado pela verdade inconsciente.

Em outros textos abordarei mais sobre esse assunto que revela como nós, seres humanos (e aliens), nunca conseguimos esconder quem realmente somos.

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