domingo, 29 de maio de 2016

A força das aparências

Vejo uma mulher passando. Ela é uma grande executiva, respeitada, destemida. Trata diariamente com políticos, homens de negócio, milionários. Quem a vê logo se intimida. Afinal, sua aparência é bastante intimidadora.

Chegando em casa, seu cachorro pula em cima dela, come o sofá, destrói tudo. Seu marido ou namorado não lhe dá a atenção que ela necessita. É uma pessoa carente na intimidade.

Quantas pessoas conhecemos que são assim?

O psicólogo Carl Jung gostava de falar sobre as máscaras sociais que utilizamos diariamente (as personas, em referência às máscaras de teatro usadas na Grécia Antiga). Eu sou um no trabalho, outro com os amigos, outro dentro de um elevador cheio de desconhecidos...

As máscaras que usamos são nossa própria personalidade. Ninguém pode ser o que não é e se conseguimos ser uma determinada coisa (mesmo que não seja comum), aquilo também faz parte de quem somos.

Personalidade - no sentido leigo - nada mais é do que a forma de se comportar mais frequente que as pessoas possuem. Mas, em um sentido amplo, personalidade é qualquer comportamento que uma pessoa consegue realizar (inclusive aqueles estranhos).

As crises de personalidade ocorrem quando nos perdemos no emaranhado de máscaras que precisamos usar. Se uma pessoa é vista como intimidadora, mas sente, no fundo, que é carente, ela pode ter sérios riscos de ficar angustiada quanto ao seu verdadeiro eu.

O autoconhecimento leva ao fim dessa angústia: compreender que somos vários em um só, no trabalho a mulher destemida, em casa, a que busca atenção, na rua, a comunicadora. Todos em um só, formando o indivíduo, este ser único e inatingível.

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