quinta-feira, 3 de março de 2016

Como o riso da plateia do Chaves explica o comportamento das massas

Um dos programas de humor mais famosos no Brasil é o Chaves. Qualquer pessoa que seja fã pode se lembrar que, durante as piadas, um esquisito riso da plateia era fácil de ser notado. Não apenas Chaves, mas a maioria dos programas humorísticos utilizam o mesmo artifício, mesmo que seja, para muita gente, bem chato.

De acordo com Robert Cialdini, pesquisador e autor de "Armas da Persuasão", tendemos a imitar os comportamentos sociais que outras pessoas estão fazendo. Quando ouvimos o riso após uma piada, tendemos a rir, mesmo que não achemos graça. É possível, inclusive, lembrar de alguns seriados de humor que NÃO possuem o riso - e, realmente, sente-se a falta (como o antigo "My Name is Earl).

Esse comportamento de imitação não serve apenas para rir de piadas e sim para situações mais sérias: é comum vermos a cena de pessoas acidentadas e um amontoado de pessoas ao redor sem fazer absolutamente nada, nem mesmo ligando para uma ambulância. A tendência de imitar comportamentos serve também para essa imobilidade social - por acreditar que outras pessoas já podem ter tomado alguma atitude, ninguém faz nada. Em seu livro, Cialdini conta diversos casos de assassinatos públicos testemunhados por dezenas de pessoas que simplesmente não conseguiram nem mesmo ligar anonimamente para a polícia.

Atualmente, existem diversos grupos que procuram o tempo todo classificar a pessoa segundo os critérios mais superficiais existentes: raça, gênero, classe social etc. A personalidade e a identidade dos indivíduos se perdem quando são classificados segundo rótulos simplistas. Mas esse tipo de atitude tem um propósito.

Para Cialdini, é muito mais fácil controlar grupos homogêneos, onde todos pensam igual, pois temos exatamente essa tendência para seguir comportamentos semelhantes (evitando o desgaste que seria pensar por si só).

A liberdade mental só pode ser conquistada quando cada um aceitar sua própria identidade independente do que lhe digam que seja.

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