quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Por que as empregadas domésticas nunca sabem onde guardaram as coisas?

Quem tem ou teve empregada doméstica (nos EUA é coisa de rico, mas no Brasil até as empregadas têm empregadas) sabe de um problema muito comum que ocorre na profissão: o desaparecimento misterioso de objetos como chaves, celulares, livros etc. E elas nunca sabem onde colocaram. Será má-fé? Ou talvez sacanagem com o baixo salário? Nada disso, fatores psicológicos (e filosóficos) explicam os motivos desse fenômeno.

Lá nos anos 80, os criadores da Programação Neurolinguística, Richard Bandler e John Grinder, assim como diversos pesquisadores das Ciências Cognitivas, como explicado no livro A Revolução da Mente, de Howard Gardner, mostraram como o cérebro possui diversas formas de memorização. Algumas pessoas são mais visuais (veem exatamente a chave que foi colocada sobre a mesa ou se lembram muito bem do rosto de pessoas que não veem há anos), enquanto outras são mais auditivas (reconhecem padrões sonoros com uma perfeição espetacular).

Mas não só isso: enquanto algumas pessoas se recordam mais de números, outras lembram-se mais de nomes, outras de momentos etc. Existe, entretanto, um fator que é quase unanimidade entre os pesquisadores da memória: nós nos recordamos muito mais de coisas associadas com uma carga emocional forte.

Por isso é mais fácil nos lembrarmos da primeira vez que transamos; de um acidente de carro que tivemos; da morte um ente querido; de um momento muito emocionante - são situações com uma carga emocional intensa e isso ajuda na memorização.

Guardar as chaves em cima da mesa, deixar o livro sobre o sofá ou qualquer outra coisa possui baixíssima carga emocional, por isso é difícil se recordar exatamente onde colocamos. Mas, por outro lado, estamos aqui falando sobre porque as empregadas também se esquecem de onde elas guardaram.

Desde a época de Aristóteles, antes de Cristo, o filósofo já afirmava da importância de categorizar o conhecimento para organizá-lo da forma mais inteligente possível. Os pesquisadores que mencionei acima confirmaram os pensamentos do filósofo: o que está organizado é mais fácil de ser lembrado.

Na maioria das casas, não existe categorização da organização. As empregadas que veem um livro sobre a mesa, por exemplo, acreditam que colocá-lo na estante já é uma organização, mas a estante não possui nenhum tipo de categoria que facilite encontrar o objeto especificamente em um local.

Colocar algo lado a lado, simplesmente, é uma forma de organização extremamente rudimentar, pois não subdivide os itens, servindo apenas como forma de organizar o espaço físico em que eles estão.

Então, se você quiser que sua empregada (ou você mesmo!) nunca perca os objetos, organize sua casa: as chaves ficam em um chaveiro, os livros ficam organizados em uma estante de acordo com uma determinada ordem (alfabética, de grossura, por título, o que você preferir) e assim sucessivamente: isso vai ajudar você, sua empregada (dê um aumento pra ela também) e irá melhorar a memória de todo mundo.

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