quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mentes abertas para a intolerância

Estamos na era da aceitação, da empatia, da tolerância, de considerar que "todo outro é lindo", como ironiza o filósofo Luiz Felipe Pondé. Um dos mantras que essa galera "inclusiva" gosta de repetir é: "tenha a mente aberta".

Eu mesmo divulguei uma frase em meu Facebook - que nem sei quem é o autor real, já que existem vários autores - que dizia "Mentes são como paraquedas, só funcionam se estiverem abertas" e, rapidamente, fui corrigido por um amigo: "Mas você tem mente aberta para as coisas pelas quais não concorda?"

E esse é exatamente o ponto: do mesmo jeito que só é possível ser tolerante se você tolera o que você considera inaceitável (se você tolera apenas o que você concorda, isso não é tolerância), você só pode ter a mente aberta se aceitar discutir/pensar/analisar coisas que são consideradas por você como inaceitáveis, nojentas, pérfidas, contra os seus princípios morais.

Essa era da "aceitação do outro", independente de como esse outro seja, revela uma faceta hipócrita: todos querem parecer, publicamente, como "mentes abertas", "inclusivos", "descolados", "politicamente corretos" ou "salvadores do mundo" mas apenas com aquilo que eles concordam.

Apareça com uma ideia diferente para discutir educadamente num desses grupos de discussão da internet (podem ser veganos - e olha que eu mesmo sou vegetariano; feministas; libertários; movimento gay; movimento negro etc) e você será xingado e quiçá expulso sem mais detalhes.

O debate pelo realmente diferente é inexistente. Os cults descolados (ou como Pondé chamaria, os "inteligentinhos") nada tem de tolerantes com o que eles discordam, apenas seus amigos são chamados para a mesa.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...