quinta-feira, 16 de julho de 2015

Self digital: uma nova forma de estarmos em contato com os outros e com nós mesmos

As redes sociais e todas as novas tecnologias envolvendo a internet (celulares, tablets, Whatsapp etc) mudaram os relacionamentos humanos. Achamos que quando estamos na internet não estamos sozinhos - e a necessidade de estar com alguém é cada vez maior.

Quem afirma isso é a pesquisadora Sherry Turkle que estuda o assunto há décadas. Ela afirma (em seus diversos livros como "O Segundo Eu" ou "Sozinho junto") que precisamos rever nossas relações com as máquinas pois estas estão tomando de conta das relações entre pessoas.

O desespero de muitos que se veem sem celulares e sem a possibilidade de estar conectado atualmente é um dos pontos enfatizados por Sherry - não conseguimos mais ficar sozinhos. Queremos até estar juntos de outras pessoas, mas que possamos, ao mesmo tempo, estar também em outros lugares. 

Um dos efeitos estudados por Sherry é que sentimos a necessidade de manter um determinado distanciamento das pessoas, ao mesmo tempo que queremos mantê-las por perto.

Dois fatores "incomodam" as pessoas em conversas cara a cara:

- Ocorrer em tempo real;

- Sentir que não se tem o controle do que vai ser dito;

As experiências humanas de comunicação tornaram-se editáveis, deletáveis, totalmente controláveis - é possível transmitir apenas o que se deseja, sem cometer erros ou com um número reduzido de erros, tornando mais difícil, ou mesmo impossível, fazer com que alguém nos conheça verdadeiramente.

Uma das frases que tem se tornado muito comum dita, principalmente por jovens, é: "Eu prefiro digitar do que conversar pessoalmente"

Para a pesquisadora, um sentimento de que as pessoas não nos escutam torna o Facebook e as redes sociais tão atraentes: aqui todos nos escutam automaticamente. Quando na vida real não temos voz ou importância, na internet nossas opiniões são levadas a sério (por isso a tendência a discussões mais e mais acaloradas na internet, mesmo para assuntos que as pessoas não têm o costume de discutir pessoalmente).

Temos criado máquinas que oferecem companhia - imagine os apps do iPhone ou da Samsung - que você pede informações, conta piadas, pergunta como está e eles respondem como se fossem pessoas reais. 

As máquinas serão nossas companhias e realmente sentimos que existe uma vida ali, que as máquinas possuem até mesmo uma empatia conosco e possuem algum entendimento verdadeiro e genuíno da experiência humana.

As novas tecnologias desenvolveram três características de nossos comportamentos:

1 - Que podemos focar nossas atenções onde quisermos a qualquer momento;

2 - Queremos sempre ser ouvidos;

3 - Nunca precisamos estar sozinhos

Sherry ainda diz que o problema maior está no terceiro item e demonstra como as pessoas têm ficado extremamente ansiosas quando ficam sozinhas (que, nos dias atuais, significa sem um celular com conexão) e que isso tem alterado nossas personalidades.

Estar conectado o tempo todo cria uma sensação de que não estamos sozinhos - e isso pode ajudar em isolamentos cada vez mais profundos.

E ela dá algumas dicas:

- Devemos aprender a viver sozinhos;

- Precisamos desenvolver uma auto-consciência em relação a como usamos essas tecnologias;

- Tenha "lugares sagrados" em casa (como a sala de jantar), locais em que a conversa cara a cara é estimulada;

Por fim, Sherry é uma defensora das tecnologias, afirma que elas podem ter trazido grandes benefícios para a humanidade, mas ao mesmo tempo precisamos aprender a utilizá-las de forma mais inteligente.

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