segunda-feira, 20 de julho de 2015

Porque é perigoso tratar comportamentos como doenças

Muitos especialistas discordam que alguns "transtornos" ou "síndromes" psicológicas sejam tratadas como doenças - como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou Autismo - e sejam abordados como os comportamentos isolados que definem tais denominações.

Por exemplo: quais são os comportamentos que uma pessoa diagnosticada com TDAH apresenta? Não consegue parar quieta, termina rapidamente uma atividade e já entra em outra, tem dificuldades de concentração. Entretanto, outro sujeito com o mesmo diagnóstico pode apresentar outros comportamentos - assim é com o autismo, a depressão, ciúmes, preguiça, baixa auto-estima, manias: de certa forma, ninguém se comporta de maneira parecida mesmo que tenha um diagnóstico igual.

Ou seja: as "doenças do comportamentos" nada mais são que metáforas para um conjunto de comportamentos que uma pessoa apresenta, mas que pode ser bem diferente dos comportamentos que outra pessoa apresenta mesmo tendo a mesma "doença".

Remédios para doenças

Abordar comportamentos como doenças significa dizer que pode existir remédios que sirvam para todas as pessoas, afinal, se você tem uma gripe e se seu irmão ou seu vizinho e a sua tia também estão gripados o mesmo remédio poderá servir para todos vocês com sucesso.

Mas comportamentos são adquiridos de forma única por cada pessoa, por isso não existem fórmulas prontas que funcionem para todos. A história de vida, a maneira como o comportamento se apresenta e outros fatores fazem com que cada pessoa modifique e trabalhe seus comportamentos de maneira diferenciada.

Doenças podem não ter cura

Existem doenças curáveis e outras incuráveis, mas não existem comportamentos imutáveis. Comportamentos sempre podem ser mudados, alterados, melhorados. Se uma pessoa vê um comportamento como doença, talvez ela chegue a pensar que não existe cura para seu problema.

O psiquiatra Thomas Szasz fala sobre o mito da doença mental

Comportamentos são maleáveis

Ou você está gripado ou não está, ou está curado ou está doente. Comportamentos, por outro lado, são extremamente maleáveis - você pode apresentar comportamentos depressivos em apenas um momento do dia e no resto do dia você se sentir bem. Além de existirem diversas possibilidades do comportamento se apresentar - ou seja, você não está o tempo todo se comportamento de uma única forma, diferentemente de uma doença em que se você estiver doente, você está o tempo todo doente até se curar.

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Este é um debate mais filosófico do que científico. Existem profissionais que abordam comportamentos de clientes como se fossem doenças e são extremamente competentes - do mesmo jeito que outros que veem apenas os comportamentos e tentam modificá-los, mas sem sucesso. Eu, porém, acredito que tirar esse rótulo de "Estou doente", "Estou com depressão", "Eu sou hiperativo" é uma maneira de tirar um peso em cima da pessoa, se ela pensar "Eu tenho comportamentos depressivos" ou "Eu tenho certos comportamentos hiperativos" diminui as dificuldades - no próprio imaginário das pessoas, comportamentos são coisas moldáveis e ver a si mesmo como um organismo que se comporta é uma maneira mais fácil de resolver as próprias dificuldades.

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