quarta-feira, 29 de julho de 2015

Algumas considerações sobre as drogas

Recentemente iniciei a leitura do livro "Psicoterapia com LSD", uma coletânea de textos de diversos autores organizados por Alberto E. Fontana. Assim como faço com outras obras, escreverei diversos textos sobre várias partes do livro (não necessariamente na ordem).

O livro começa com um pouco da história das drogas no mundo e afirma algo importante de se lembrar: as drogas sempre fizeram - e provavelmente sempre farão - parte do cotidiano da humanidade. Ele cita a história de várias drogas como o haxixe que já era utilizado pelos árabes na Idade Média, vários tipos de fungos alucinógenos usados pelos nativos americanos, substâncias retiradas da pele de certos sapos e até mesmo um tipo de cogumelo chamado Teonanacatl que data de muitos séculos antes de Cristo.
Ou seja, a história da humanidade está repleta de relatos que envolvem o uso de drogas e a busca por estados alterados de consciência. Seja por diversão, em busca de mudança de comportamentos ou por algum tipo de experiência sensorial e perceptiva diferenciada.

Ignorando por um momento o debate entre o que seja mais saudável para a sociedade, seja a legalização das drogas ou a proibição, acredito que o problema maior é o tabu que o assunto drogas se tornou na sociedade.

Quando se fala sobre drogas, a primeira coisa que vem à mente de muitas pessoas é crack, cocaína, exército de zumbis etc. E esse tipo de associação criou sérias dificuldades para que cientistas estudassem as drogas, seus efeitos. A burocracia que um cientista passa para estudar algum tipo de droga proibida é bem complexo e desanimador.

Acho que certos governos acreditam que, além de proibir o uso das drogas (um raciocínio legítimo e uma política compreensível, apesar de debatível) deve-se agir como se as drogas não existissem ou como se as pessoas não fossem em busca delas, independentemente de proibições. Estudar as drogas, para esses governos, seria legitimar suas existências.

Por isso ainda existe tanta desinformação a respeito de drogas como a maconha: será que realmente faz mal? Será que vicia? - e olha que a maconha é, provavelmente, a droga mais estudada de todas.

Estudos comportamentais e psicológicos dos efeitos das drogas são mais fáceis de serem realizados, porém ainda vejo como escassos livros e manuais que orientem o uso de drogas como uma forma de aumentar a segurança ou melhorar a experiência das pessoas.

"Ah, mas esse tipo de material iria estimular o consumo".

Será mesmo? Talvez as pessoas que fossem atrás de ler esses livros já usem drogas e não vão começar a usar por conta dos livros. Mesmo que uma pessoa se interesse pelo uso de drogas por causa do livro, o mesmo poderia conter informações sobre como se auto-observar a respeito de dependência química e outros fatores.

Não é possível mais viver como se as drogas não existissem, como se as pessoas não fossem procurar as drogas independente do que os outros acham. Elas existem (sejam legais como remédios psiquiátricos e álcool, sejam extremamente viciantes como crack e cocaína, sejam naturais como a maconha ou sintéticas como o LSD) e fazem parte da vida de milhões de pessoas que conseguem manter uma vida normal mesmo com o uso contínuo. Esse debate precisa ser melhor discutido.

Nas próximas postagens falarei especificamente sobre o uso do LSD na psicoterapia!

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