terça-feira, 16 de junho de 2015

Schadenfreude: alegria no sofrimento dos outros

Schadenfreude é um termo alemão que significa "prazer no sofrimento alheio". Apesar de parecer imoral é, na verdade, uma característica muito comum do ser humano: quando assistimos um filme, por exemplo, sentimos um certo prazer no sofrimento do mocinho ao longo do filme - mesmo que esperemos que ele vença no final. Pegadinhas na televisão ou brincadeiras de crianças que envolvem "alguém se dar mal" são ótimos exemplos de schadenfreude.

Existem certas figuras públicas que são alvos mais fáceis de sofrerem schadenfreude: políticos que são descobertos em alguma situação vexaminosa; milionários que vão à falência (vide Eike Batista) ou quaisquer pessoas em situação privilegiada (econômica ou socialmente) que tem algum problema que vá a público - somos mais sensíveis a sentir prazer quando o sofrimento é de alguém conhecido mesmo que, em muitos desses casos, não exista prova de culpa (esta é irrelevante).

Quando a figura é pública, existe uma certa comoção social de pensar: "Ele mereceu o que está passando".

Mas, afinal, é errado ou certo sentir prazer no sofrimento alheio? A princípio não há nenhum problema haja vista que é uma reação automática e aprendida e, se manter-se no plano privado dos pensamentos, não fará dano algum.

O problema é que o schadenfreude não é apenas passivo, mas sim ativo: divulgam-se fotos de pessoas em situações constrangedoras em festas; brigas entre casais; informações não comprovadas sobre personagens públicas - o sofrimento alheio vira, da noite para o dia, motivo de deboche, o privado vira público e a dor de poucos se torna a alegria de muitos.

Muito desse hábito é natural (até mesmo macacos "brincam" entre si e se divertem com o sofrimento dos outros), mas também existe uma parcela extremamente cultural - isto é, aprendida - em manter banalizar o sofrimento do outro e isso, claro, pode ser mudado.

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