sexta-feira, 29 de maio de 2015

Análise comportamental de situações do cotidiano - cuidando dos filhos no dentista

Esperando no dentista, vejo a seguinte cena: um pai segurando um bebê enquanto não para de olhar para o smartphone por um segundo e outra criança mexendo nas revistas do consultório e o pai gritando escandalosamente sem tirar os olhos do celular: "Ei, para de mexer nessas coisas! Vem pra cá! Rapaz, tu não para quieto!"

A criança, que nem bagunçando nada estava, também não olhava para o pai, ignorando-o completamente.

Depois o bebê começou a chorar e o pai dividiu sua atenção entre o seu celular, em tentar ninar o bebê e em gritar esporadicamente com o outro filho.

The Parents, by Laura Barat
Primeiro: ou a sua atenção está voltada para seus filhos ou para o seu celular. Dividir-se em tarefas complexas (e manter um filho quieto em um novo ambiente, dependendo do caso, é uma tarefa complexa) exige atenção total. Se ele percebe que está sendo ineficiente mexer no seu celular e controlar os seus filhos, ele precisa escolher uma das tarefas e esquecer a outra. Eu escolheria olhar os filhos.

Segundo: percebendo que o filho maior deseja mexer nas revistas, por que não? A questão não é o comportamento em si, mas a forma como se está fazendo. O pai, nesse caso, poderia orientar o filho a pegar apenas uma revista por vez e ficar perto dele enquanto mexe e se quiser, mudar de revista após guardar a segunda. Assim o filho faz o que quer, mas da maneira como o pai deseja. Outra alternativa é, caso não queira o filho mexendo nas coisas do consultório, que se leve as próprias coisas do filho (brinquedos) para os locais em que se vai.

Terceiro: o bebê também merece atenção antes de começar a chorar - e o choro pode significar exatamente a falta de atenção! Portanto, ver as necessidades do bebê antes dele fazer "exigências" pode ser eficiente para evitar choros futuros.

Essas ideias funcionariam? Só testando. Ser pai ou mãe não é apenas uma questão de amor e cuidados que surgem naturalmente, pode-se e deve-se utilizar da racionalidade em muitos momentos. Entendo que muitas vezes, justamente por causa do amor, age-se por "instinto" ou do jeito que dá, mas o caso citado é apenas falta de preparo mesmo do pai, que poderia ter evitado a confusão com um pouco mais de atenção aos seus próprios comportamentos.

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