segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O desejo e o inverso do desejo

Pense em uma pessoa que quer parar de fumar: ela quer parar de fumar ou continuar fumando? Ou uma pessoa que deseja emagrecer: comer ou parar de comer tanto? Ou então uma garota que queira deixar seu namorado infiel: ela quer tentar continuar com o namorado ou prefere deixá-lo de vez?

Existe um mito de que "querer é poder". Mas os nossos desejos nunca são claros ou únicos. Desejamos várias coisas ao mesmo tempo, inclusive o inverso de nossos desejos.

Por tudo o que sentimos há uma mistura grande de sentimentos: pelo cigarro sentimos o prazer pelo fumar ao mesmo tempo que a preocupação com a saúde, com o cheiro, o desagrado de outras pessoas. E assim também é com o namorado que desejamos terminar, com as calorias que desejamos perder. O desejo não é algo simples.

Mas em algum momento decidimos de uma maneira mais forte: uma pessoa que antes fumava consegue parar de fumar; alguém consegue emagrecer; a menina consegue deixar o namorado.

Por que as pessoas conseguem seguir seus desejos, de repente?

Porque elas encontram fatores que tornam mais forte uma escolha do que outra. O "parar de fumar" ganha condições muito mais fortes para existir do que o "continuar fumando". Entenda que esses fatores são absolutamente objetivos e não tem a ver com "querer muito" (por exemplo: o prazer de fumar torna-se muito menor que as reclamações das pessoas, o medo de câncer, o cheiro ruim etc). E assim também para quaisquer escolhas que queiramos fazer: é preciso descobrir e selecionar fatores mais intensos do que continuar na mesma decisão de sempre.

E assim a mudança acontece.

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