segunda-feira, 20 de maio de 2013

Teóricos da Psicologia: o Comportamentalismo (John Watson e B. F. Skinner)



O segundo teórico da Psicologia são, na verdade, dois teóricos. Eles são John Watson e B. F. Skinner – criadores do behaviorismo ou Comportamentalismo (em versões diferentes), esta é a minha abordagem preferida, que muito se assemelha com minha visão de mundo anterior aos meus estudos de psicologia.

De fato, quem criou o Comportamentalismo foi John Watson, na foto à direita. 

Na época, a Psicologia estava inundada pelo que se chama de “introspecção”, isto é, as pessoas eram treinadas para fazerem autoanálises (introspectivas) de suas sensações, percepções, sentimentos, pensamentos e relatar para o mundo científico e, voilà: esse era o único método científico válido e respeitado. Outro método científico, mas mais da área da biologia do que da psicologia era a eugenia: os seres humanos eram “escravos” de seus genes e seus comportamentos derivavam da genética de cada um. Essa ideia foi o princípio das ideias de que há raças entre os seres humanos (em outro post falarei sobre as raças humanas).

John Watson deu um basta nisso! Ele disse que em todas as ciências eram considerados apenas o que podia ser OBSERVADO e medido. Pensamentos e sentimentos não poderiam ser analisados por terceiros, portanto não deveriam ser considerados para análise científica (apesar dele não negar que existam sentimentos, ele disse na época, que ainda era impossível estuda-los por falta de tecnologia).

E Watson disse mais: o ser humano, assim como qualquer outro animal, ao contrário do que os geneticistas afirmavam, poderiam moldados totalmente pelo ambiente – todos os comportamentos poderiam ser alterados e emoções como medo, gostar, ódio e amor poderiam ser alterados infinitamente de acordo com o ambiente. Os comportamentos eram todos baseados numa relação estímulo e resposta. Ele mesmo fez um experimento – hoje em dia polêmico – no qual ele fazia um bebê ter medo de animais peludos de pelúcia ou não (clique aqui e veja o vídeo!).

Mas Watson era limitado demais ao negar a análise científica de sentimentos e pensamentos – as pessoas simplesmente sentem e pensam e não ficariam satisfeitas em terem negados esses componentes tão importantes de suas vidas. 

E chegou B. F. Skinner (tcharam!) e criou o behaviorismo radical – muito mais abrangente que o outro behaviorismo (chamado de Metodológico) ao considerar os pensamentos e os sentimentos como possíveis de serem analisados. Só que com uma grande diferença da visão convencional: pensamentos e sentimentos também são comportamentos que podem ser modelados, moldados e estão sujeitos as mesmas contingências ambientais que os comportamentos observáveis.
Esse desenho mostra as contribuições de Skinner para a ciência, ele mudou o modo de se estudar
a natureza, os animais, o planeta, a medicina, os comportamentos, o trabalho, a biologia, as relações entre as pessoas. Ufa!

Skinner também teve uma grande diferença em relação ao Comportamentalismo de Watson: para Watson, os estímulos do ambiente eram os modeladores dos comportamentos animais/humanos (faço essa distinção somente por conveniência, mas lembrando que os seres humanos são animais), enquanto que Skinner afirmava que AS CONSEQUÊNCIAS do comportamento eram seus modeladores – isso ele chamou de comportamento operante.

Comportamento operante é o comportamento que opera no mundo, que o muda de alguma forma. Se eu falo com uma garota, o ambiente muda – a garota é o ambiente e isso terá uma consequência – positiva, negativa ou neutra. Então, para Skinner, as consequências anteriores que o indivíduo sentiu no passado com comportamentos semelhantes (falar com outras pessoas, por exemplo) é o que determinará se esse indivíduo fará esse comportamento.

Mas, e coisas que nunca fizemos antes e que nunca houveram consequências anteriores? Como se faz algo pela primeira vez?
Bem, desde que nascemos (e até antes disso, no útero) estamos nos comportando. Estamos sempre fazendo alguma coisa. E, de certa forma, sempre vamos fazer algo semelhante ao que já fizemos antes. Se vamos falar com uma pessoa pela primeira vez, certamente já falamos com outras pessoas antes e essa semelhança de comportamento pode determinar como agiremos.

Um comportamento mais “diferente” como sexo, por exemplo. Provavelmente nunca tivemos uma experiência semelhante antes de fazer sexo. Será? As pessoas se masturbam, veem filmes pornográficos e ouvem falar de como sexo funciona. Isso funciona para ir “ensinando” o organismo como agir – mesmo que seja uma aprendizagem um pouco limitada. Pessoas que nunca tiveram NENHUM tipo de experiência semelhante certamente terão uma grande dificuldade na primeira vez que forem fazer um comportamento, então terão que passar por um processo de “tentativa-e-erro” (esse dedo vai aqui, isso você coloca ali...).
Skinner, é claro, não esqueceu que existem comportamentos que também não mudam o ambiente. O salivar ao ver um limão altera apenas o próprio organismo. Esses são comportamentos respondentes (foi descoberto pelo fisiologista Ivan Pavlov e mais profundamente estudado por Watson).

Enfim, em minha opinião, B.F. Skinner criou uma revolução no modo de ver o mundo. O ambiente precisa mudar para que as pessoas tenham a possibilidade de desenvolverem seus melhores lados (a criatividade, inteligência, motivação, habilidades sociais, boa educação etc). Enquanto os ambientes em que vivemos (família, trabalho, escola etc) foram ambientes que sejam “incentivadores” de maus comportamentos, a terapia psicológica não ajudará muito o sujeito ou o mundo em larga escala.

Ainda falarei mais sobre esse que é o meu assunto preferido. Existem muitos termos técnicos que modifiquei para termos mais facilmente compreensíveis (os que entendem, evitem críticas a esse respeito, só tentei ser o mais próximo possível de uma compreensão geral – mas se houverem outras críticas a respeito da explicação sobre o Comportamentalismo, sejam bem vindos).

Estou de volta (pela 1920301293012 vez)!

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