terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Análise psicológica de um coração partido (parte 3) ou porque é tão difícil superar um amor perdido


Na primeira parte da série “Análise psicológica de um coração partido” fiz considerações sobre porque gostamos de quem gostamos e respondi algumas perguntas sobre porque certas coisas acontecem e que acabam afastando as pessoas.

Na parte dois, analisei os motivos que levam as pessoas, em diversos casos, a gostarem de pessoas que sempre estão ausentes ou que simplesmente não retribuem o sentimento.

Agora quero analisar porque é tão difícil superar o fim de um relacionamento. O motivo óbvio inicial é porque o relacionamento terminou (ops...), mas existem outros fatores que, se compreendidos, podem ajudar na superação:

- Um relacionamento de longa data transforma o ambiente que a pessoa está inserida: como afirma o Comportamentalismo, os comportamentos são determinados pelo ambiente que estamos inseridos. Uma namorada antiga, provavelmente, já deixou sua “marca” em todos os ambientes (na casa, nos lugares mais frequentados, na casa de sua mãe, no trabalho) e quaisquer desses lugares “despertará” lembranças. Alterar os ambientes, fazer mudanças em casa, no quarto pode ser uma boa saída para apagar as marcas deixadas.

- As alternativas estão escassas após o fim dos relacionamentos: casais costumam ter uma rotina mais ou menos rígida - fazem as mesmas coisas, vão aos mesmos lugares, conhecem as mesmas pessoas. Quando terminam, ambos ficam com poucas alternativas tanto de lugares para ir como de hábitos e novos comportamentos. O que fazer? É a hora da reciclagem comportamental: aprender novos modos de agir, conhecer novos ambientes e criar novos hábitos pode agilizar o processo de superação. Só é possível fazer isso experimentando novidades. Algumas pessoas podem reclamar nesta parte: “ah! Mas eu não quero mudar porque terminei um relacionamento”. Certo, mas não mudar os certos comportamentos e ambientes lhe colocará num processo de superação por dessensibilização, isto é, será preciso com que esses lugares e comportamentos se tornem menos sensíveis ao sujeito e isso demanda tempo.

- A vida de solteiro pode ser um desastre no início: comportamentos que não são treinados ficam desajustados, enferrujados. Isso acontece com comportamentos como falar com estranhos, paquerar, seduzir etc. Recém-separados podem ter perdido a desenvoltura necessária para fazer essas coisas, já que estiveram muito tempo fazendo a mesma coisa. Treinar falar com pessoas desconhecidas (e manter esse hábito mesmo durante um relacionamento) é essencial para não se enferrujar.

Enfim, novos momentos na vida exigem novos aprendizados, que podem ser difíceis no início, mas que darão um repertório de novidades que pode trazer muitas coisas boas. É claro que as pessoas e os momentos que passam por nossas vidas deixam marcas que levaremos para sempre, não se deve negar isso, tampouco é saudável viver preso a essas lembranças.

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