sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Análise psicológica de um coração partido (parte II) ou porque gostamos de quem nunca aparece?


Há cerca de um ano escrevi um texto com o título “Análise psicológica de um coração partido ou porque gostamos de quem gostamos”, na qual fazia uma análise comportamental dos meios que nos levam a se apaixonar por uma pessoa. Em outra oportunidade conto mais sobre o caso da primeira parte (hehe).

Hoje quero falar sobre porque nos apaixonamos mais facilmente por pessoas que são raras, que estão pouco disponíveis, estão sempre sem tempo, moram longe ou simplesmente não estão interessadas em nós.

Existe um processo, na ciência comportamental, chamado de privação e saciação. Quando fazemos ou temos algo bom (no primeiro post eu fiz referência a comer chocolates, utilizarei a mesma referência), como comer chocolate e, de repente, nos são tirados os chocolates e passamos muito tempo sem comê-los, aumenta a privação (falta/vontade) daquele prazer. Então sentimos mais e mais vontade de tê-lo e quanto mais rara é a ocasião em que ele se mostra, mais deixa com “vontade de ter mais”. Por isso dizem que pessoas comprometidas são mais atraentes: além delas serem um estímulo aprovado por outras pessoas (o que os outros aprovam ganha mais valor!), elas são pessoas raras: estão disponíveis em poucos momentos ou nunca e por isso parecem ainda mais interessantes.

No caso da saciação é o contrário: quanto mais se tem algo, menos vontade se tem daquilo (há exceções). Não são interessantes pessoas que estão sempre no pé, insistindo, justamente porque se tem demais aquele prazer, o que acaba se tornando abusivo e cansativo. O corpo precisa de tempo para necessitar novamente dos seus desejos.

P.S.: Falei desses mesmos princípios de “saciação” e “privação” na primeira postagem, mas não expliquei direito, agora resolvi detalhar melhor pois são dois dos conceitos comportamentais mais importantes nos relacionamentos.

P.S.2: Relacionamentos não são fechados a apenas essas definições dadas aqui, é óbvio. Esses casos citados são generalizações que funcionam com algumas pessoas. Por exemplo: existem pessoas que gostam de desafios, de pessoas difíceis justamente porque elas se apresentam como um prazer mais dificultoso de se obter: aí também se aplica o conceito de privação.

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