segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Culpa: e quando pedir desculpas não é suficiente?

Escrevi, recentemente, um texto chamado "E se... tivéssemos vivido outra vida", no qual eu discorri sobre as escolhas e os acasos que nos acontecem e o que poderia ter acontecido se nossa vida tivesse sido de outra forma.

Crime e Castigo
Anne-Marie Jones Illustration
É certo que quando fazemos uma escolha não se pode voltar atrás. "O molho misturado ao purê de batata não se separa mais", " a fumaça que sai do cigarro não volta mais". Mas existem certas coisas que podem ser consertadas, os erros cometidos podem ser redimidos e a pessoa pode ter uma redenção. Uma outra vida pode ser vivida.

Na última semana, passei por uma situação no qual me senti muito culpado. Geralmente eu me sinto muito culpado, mesmo que eu não tenha feito nada. Mas dessa vez, me senti e eu tinha feito algo. Uma angústia  tomou conta de mim. 

Será que era pior que a angústia que sentiu a pessoa que fiz mal? Quem sofre mais: o que faz o mal ou o que sofre o mal? Talvez sejam sofrimentos iguais.

Aquilo me invadiu como um ladrão. Tirou-me o sono e a paz. Decidi pedir desculpas e o fiz. Mas algo continuou me incomodando: a culpa passa quando se desculpa? O mal é desfeito? Não passou para mim. O mal que cometi continuou pairando nos meus pensamentos... tentei consertar, criar uma pena para mim mesmo e estou me redimindo aos poucos. Às vezes parece que me tornei outra pessoa: que o erro que cometi foi um desvio do meu "eu", que eu não posso me reconhecer no que eu fiz - apesar de nem ser tão estranho assim. Sinto até mesmo que estou escrevendo que forma diferente do normal, mas hoje não quero consertar minhas palavras, vai do jeito que está. Mas, não, não posso cair na armadilha de achar que os erros que cometo são uma parte "errada" da minha personalidade: sou eu mesmo e preciso achar normal, preciso reconhecer minhas digitais na cena do crime, pois saberei quem eu sou. É preciso se conhecer de todas as formas, principalmente aquelas inaceitáveis.

Fritz Perls, criador da Gestalt-Terapia, afirma que devemos ter uma super consciência do que estamos passando no aqui-e-agora. Devemos aprender a relatar com precisão tudo que está acontecendo atualmente conosco (depois farei um post só sobre isso). Pois vamos lá:
O que estou sentindo é um pouco de calor e um suor que me incomoda, sinto que estou criando bastante expectativas a respeito de outras pessoas e que estou sendo bastante exigente, mas não sei exatamente com o que, talvez só com um perfeccionismo venenoso. Essa culpa até ontem estava indigesta, mas agora sinto que estou aliviando (até mesmo fisicamente), ficando mais tranquilo e também com um pouco de vontade de chorar, talvez o choro seja a resolução final. Sinto um certo dever a cumprir, alguns objetivos que ainda estou negligenciando, parece-me que nem tudo está resolvido ainda, mas acredito que o pouco que já fiz fez com o que eu me sentisse melhor.

Pedir desculpas é um começo. Não resolve o problema, mas diz para a pessoa que você sabe que errou. É preciso fazer mais.

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