sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu era um Dom Quixote


Eu era um Dom Quixote. Não aquela imagem comum de uma pessoa que luta por causas perdidas - que causa realmente está perdida? Dom Quixote é mais, está além desse estereótipo. 

Ele é o homem cego em sua própria loucura, que só enxerga o mundo de uma maneira específica – a dos livros de cavalaria – e nada mais importa;

Ele é o homem que não escuta os outros e, egoísta, segue apenas o que mandam seus pensamentos;

Ele é o homem que está cansado de sua vida e, para se livrar disso, cria um mundo só para si onde ele mesmo é o herói e o resto do mundo precisa ser salvo pelo seu sacrifício.

A história de Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro da Triste Figura é em último lugar a história de alguém que luta por causas que ninguém mais luta, é mais um conto sobre um homem que só aceita suas próprias verdades e zomba das crenças dos outros em sua própria loucura. Assim fui por muito tempo e, de muitos jeitos, ainda sou: cego, raivoso, heroico em minha insanidade.

Ainda sou? É claro! Defendo com todas as minhas forças o que acredito, mas desejo defender minhas crenças cada vez menos e quero aprender a valorizar a crença dos outros mais. Não que o que acredito seja fraco – posso até estar absolutamente certo, quem saberá? – mas ao lutar com tanto afinco pelos meus pontos de vista estou esmagando e matando a livre expressão dos outros. Estou meramente me bloqueando a aprender coisas novas e ver o mundo de outras formas, se for uma maneira aceitável e convincente de viver, por que me recusar?

Minha causa perdida agora será aceitar os outros exatamente como eles são. E eu mesmo como eu quero ser.

Um comentário:

Isadora disse...

Quero estar bem perto desse novo herói.

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