terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ser justo é melhor do que ser injusto? (A República de Platão)

Hoje começo uma série de postagens sobre alguns assuntos tratados no livro “A República”, de Platão. É muita coisa em cada capítulo, algumas que ainda não possuo conhecimento suficiente para discutir, mas vou colocando aqui o que posso, nem sempre seguindo a ordem dos capítulos, mas preferindo ordem de temas interessantes.

Começa-se o primeiro capítulo falando sobre as vantagens da velhice. Os homens idosos possuem conhecimentos sobre os caminhos e as dificuldades que os mais novos passarão. Algumas características dadas aos mais idosos como ranzinza, chato, irritante ou reclamão não são características intrínsecas aos velhos, senão todos seriam assim, mas sim de uma vida má vívida, que tornou a pessoa mais fechada diante da vida.

Então o livro começa a tratar sobre a justiça. É melhor ser justo ou injusto? É o questionamento que Sócrates faz aos seus colegas, chegando à conclusão que a justiça é melhor que a injustiça, utilizando dos seguintes argumentos:

Alegoria da Justiça, Verdade e os Vícios,
Giorgio Vasari (1543)
- a injustiça gera inimizade e contentas, ao ponto que a justiça leva à amizade e à ajuda mútua, ou seja, a justiça une os grupos e a injustiça alimenta mais a solidão.

- a justiça serve para proteger os mais fracos, mas quem a pratica é mais forte que quem pratica as injustiças, pois o injusto, não tendo meios honestos de conseguir o que deseja, precisa ser injusto para se igualar ao justo nos seus intentos.

- fazer o bem só pode gerar o bem, fazer justiça só pode gerar mais justiça. Para Sócrates, aqueles que são enganados por serem “bons demais” não causaram a injustiça dos outros pela bondade – a bondade só gera bondade e não pode gerar o seu inverso – mas sim por outros males e injustiças que o injusto antes sofrera e agora “desconta” no bom e justo por ver uma oportunidade se assim fazê-lo.

A última asserção sobre a justiça, de que uma coisa não pode gerar o seu oposto lembrou-me dos revolucionários terroristas que através da violência buscam a paz, que através das injustiças cometidas contra inocentes buscam um mundo mais justo.

Na cabeça de muitas pessoas certamente passou, alguma vez na vida, a ideia: é realmente melhor ser bom e honesto? Parece-nos que a maldade sempre vence, que as atitudes egoístas e oportunistas são mais fortes que os comportamentos honestos e sinceros. Mas, como dito no livro, o injusto e mau é aquele que não consegue fazer o mesmo que o justo faz por meios honestos, então busca meios individualistas e desonestos para obter o que o justo consegue sendo honesto.

A injustiça é fraqueza, mesmo que muitas vezes saia vitoriosa. A justiça e a bondade são forças, mesmo que pareça, na maioria dos casos, sair perdedora. Manter-se firme na justiça e bondade, segundo Sócrates, formará grupos mais coesos e unidos, enquanto que os injustos ficarão sozinhos, visto que suas injustiças geram discordâncias e individualismos.

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