sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O melhor deve ser mais valorizado; o pior mais estimulado


O grande número de problemas que a sociedade precisa lidar atualmente como, por exemplo, aumento no consumo de drogas, baixo rendimento escolar, alta taxa de criminalidade e corrupção política torna cada vez mais necessária a implementação de técnicas e modelos que incentivem o bom comportamento.

boy learning by candle light, by David Segal
O psicólogo norte-americano B. F. Skinner em seu livro Para além da liberdade e dignidade, trata da necessidade de se criar tecnologias que estimulem as pessoas a emitirem bons comportamentos. Como é isso? Simples: além de punir os maus também recompensar os bons comportamentos. Por exemplo: quando uma pessoa obedece todas as leis, não leva multas de trânsito, paga suas contas em dia ela ganha do Estado, além da possibilidade de não ser punida, alguma coisa? Geralmente não. O principal motivo que as pessoas têm para serem bons cidadãos é o de evitar uma punição, mas que em si mesmo não possui nenhum tipo de recompensa, nem mesmo social, já que, no Brasil, as pessoas não são elogiadas por serem honestas. O contrário é mais evidente: em muitos casos, são até mesmo vítimas de zombaria por parte dos amigos e parentes.

Existem diversos setores em que se busca melhorias de resultados, mas que não se vê nenhum tipo de evolução na área das recompensas. Numa boa escola, por exemplo, farão investimentos em melhores professores, uma melhor biblioteca e um melhor ambiente de estudos que são, certamente, fatores importantes para ajudar na melhoria do desempenho acadêmico, mas os melhores alunos, muitas vezes, não ganham vantagens em tirar boas notas além de evitar a reprovação e ganhar a aprovação no final do ano (que é um prêmio a muito longo prazo). Em muitos desses ambientes escolares, os melhores sofrem preconceito justamente por seres melhores, sendo apelidados de “nerds”, “CDFs”.

(Há um tempo, estava em discussão o fato de existir “preconceito linguístico” no Brasil, ou seja, pessoas que falam errado sofriam preconceito da suposta maioria intelectual e que isso deveria ser combatido. Nada mais enganoso: observa-se, nas escolas, que não existe espaço para se comunicar na norma culta. Raramente se vê alguém usando conjugação verbal correta da segunda pessoa do singular. Ou seja: os bons comportamentos são criticados, zombados e sofrem preconceito, sim! Os maus comportamentos são elogiados: quantas não são as pesquisas que afirmam que os eleitores, no lugar dos políticos, agiriam de forma corrupta?)

Percebe-se o pouco uso de incentivo para que bons alunos, nas escolas, continuem com seus altos rendimentos. Os maus alunos são punidos com férias mais tardias, críticas dos professores e pais, mas os bons alunos são pouco incentivados a manterem e/ou melhorarem o nível, sendo que muitos pais e mestres usam do seguinte argumento “mas se ele já é um bom aluno, pra que precisa de mais incentivo?”. Observa-se por essa frase comum de ser ouvida que a atenção só é voltada para os que possuem problemas (e uma péssima atenção, já que as medidas tomadas para melhorar os rendimentos são, na maioria, ineficientes).

Devem pensar que esse tipo de medida envolve custos muito altos e um tipo de engenharia que o Brasil ainda não está em condições de realizar, o que não é verdade. Nas escolas dar atenção e alguma recompensa, como elogios e certas vantagens, são meios gratuitos de melhorar o ensino, além de incentivar mais os alunos ruins a melhorarem suas notas, sem jamais excluí-los do processo de melhorar, como também é erroneamente feito em escolas que segregam os melhores dos piores.

Todos os setores da sociedade podem ser melhorados para que as pessoas possam saber que, se bem comportaram-se, elas terão vantagens e recompensas valiosas, e isso não quer dizer necessariamente coisas materiais. Alguns exemplos:

TRÂNSITO: Um problema crescente no Brasil. Um grande número de carros circulando e o aumento constante dos engarrafamentos torna urgente uma engenharia de trânsito antes que os problemas piorem. Medidas como melhorar o nível de exigência para as provas do DETRAN (formando motoristas mais habilidosos), melhorar a sinalização, tornando-a simples e eficiente e estudando, junto a engenheiros do trânsito, métodos para melhorar o fluxo de carros, isso também ajudaria as pessoas a ficarem menos estressadas em seus carros, o que pode diminuir o número de acidentes ou confusões no trânsito.

HOSPITAIS: O ambiente hospitalar pode gerar muito stress e, em algumas pessoas, pode piorar suas situações como pacientes. Projetar um ambiente que acolha o doente – que, mesmo sendo doença física acarreta diversos problemas emocionais – e ajude-o a tornar sua experiência a menos dolorosa possível. Psicólogos hospitalares já fazem esse tipo de trabalho, mas seus trabalhos ainda são pouco vistos nos hospitais brasileiros.

LAZER: São escassos os pontos de lazer gratuitos para a população nas cidades menos ricas. Aumentar o número de pontos de lazer como academias ao ar livre, brinquedos para crianças nas praças públicas, exibições públicas e gratuitas de filmes podem melhorar muito o relacionamento da população com a sua cidade.

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