domingo, 23 de outubro de 2011

Associação livre

Hum... palavra. A primeira coisa que vem à cabeça é palavra. Escrever. Letras aparecendo em um papel em branco. Sujando. A caneta explodiu. Tinta de caneta, muita tinta. Faço um desenho de um pássaro voando, deveria ser o contrário mas o pássaro é azul e o céu branco. Liberdade? Estou preso ao papel. O pássaro agora está numa gaiola. Não canta, só olha para quem olha para ele. Eu acho que estou do lado de fora, olhando o pássaro ou sou eu o prisioneiro? As grades caem e o bicho está livre. Pega sua maleta e agora está de terno e com uma maleta, lembra-me uma cegonha, também usa um chapéu e seu terno é azul marinho. Entra em um prédio. É a sua empresa, parece. Muitas pessoas falam com ele, telefones, celulares são colocados em seus ouvidos, agendas, compromissos. Muitas pessoas falando, secretárias, empregados. Ele sobe até o seu gabinete. Olha para baixo. Pega um papel, senta-se à mesa. Começa a escrever alguma coisa. Não tem nenhuma expressão em seu rosto. Deve ser porque é o rosto de uma cegonha. Tira um lenço do bolso do paletó e enxuga o suor na testa. Uma gota cai no papel e borra tudo. Pede para a secretária não incomodar por cinco minutos. Bebe uma dose de uísque. Penso o que é a primeira coisa que vem a mente dele neste momento. Duas palavras me aparecerem: orgulho e decepção. Não vou escolher nenhuma. Ele também não parece escolher. Abre a janela do escritório e olha para baixo. Pessoas e vida lá embaixo. Ele fecha a janela atrás de si, mas está do lado de fora. Toma outro gole de uísque e coloca a garrafa no chão. Pula para a morte, mas sai voando para algum lugar. Acho que um dia ele vai voltar, mas quando isso acontecer eu não saberei o que aconteceu. Agora eu acordo.

(Dream Caused by the Flight of a Bumblebee around a Pomegranate a Second Before Awakening by Salvador Dalí, 1944.)

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