sexta-feira, 24 de junho de 2011

Análise psicológica de um coração partido ou porque gostamos de quem gostamos

Uma vez li que Freud foi muito corajoso em interpretar seus próprios sonhos no seu livro “A interpretação dos sonhos”. Esta é a ideia que eu já tinha sobre a profissão do escritor: ele precisa ser corajoso para falar de absolutamente tudo, principalmente sobre sua própria vida. Como tenho interesse sobre os dois assuntos (psicologia e literatura), acredito que o mais honesto para quem deseja trabalhar com análises psicológicas é analisar a própria situação, por isso, coloco uma experiência que vivi e então faço uma análise do que aconteceu comigo segundo o comportamentalismo.



Conheci uma garota e em poucas semanas eu já estava apaixonado, mesmo que tivéssemos trocado poucas palavras. Ela se mostrou interessada em mim, mas um pouco evasiva em relação as minhas investidas. Cheguei abertamente a ela e propus que saíssemos, que tentássemos algo. Ela negou: disse que me achava muito interessante, mas ainda não era o tempo. Comecei a insistir e insistir até que consegui. Ficamos. Ela mostrou um pouquinho mais de interesse comigo depois disso, mas ainda continuava evasiva: dizia que não queria que ficássemos demais, pois não queria se apaixonar... ainda. Mas eu fiquei louco: comecei a insistir que deveríamos sair, enchi o saco, esbravejei, até que ela encheu o saco de mim de uma vez por todas e, de repente, nem estávamos mais nos falando direito. Só nos cumprimentávamos de longe.

Então, o que aconteceu aí?

Primeiro: como eu pude me apaixonar por uma garota tão rapidamente sem nem mesmo conhecê-la?

É muito simplório (e errado) dizer que sou um cara emotivo, emocional, fraco etc. Esses adjetivos não explicam nada, pois eu teria que responder a uma outra pergunta: como eu me tornei emotivo? Para ter a resposta para essa pergunta eu preciso analisar o meu histórico de vida. Desde pequeno, minha mãe sempre trabalhou muito e eu cresci brincando sozinho. Super-protetora (nos raros momentos que estava presente), reclamava da presença de amigos quando eles estavam na minha casa e às vezes me proibia de visitá-los. Quando eu tive minha primeira namorada, que era uma garota mais velha que eu alguns anos, minha mãe começou a criticá-la, reclamar por ser mais velha. Assim, aconteceram dois “fenômenos” interessantes: em relação aos amigos, que desde pequeno eu era privado de tê-los como eu gostaria, diminuiu minha vontade de possuir muitos, mas aumentou a vontade de ter poucos e bons (já que mesmo contra a vontade dela, eu conseguia ter alguns amigos, então me acostumei a pequena quantidade). Em relação a namoradas, elas se tornaram mais valiosas, pois eram um substituto do afeto que eu nunca tinha conseguido ter na infância e como minha primeira namorada sofreu os ataques da minha mãe (a pessoa que me privou de afeto na infância), isso valorizou mais ainda o fato de eu ter uma namorada, explicando assim como eu me apaixono fácil por quem me dá um pouco de atenção (como eu pouco tive na minha infância, vou querer excessiva atenção na fase adulta, isso explica também outros comportamentos meus, como um gostinho por temas polêmicas e que despertam muita atenção!).

Segundo: Por que eu insistia tanto em sair com ela ao ponto de me tornar um chato?

A resposta para essa pergunta tem a mesma explicação da primeira. Como meu histórico de vida me permitiu uma supervalorização de companhias femininas (aquelas mesmas que eu pouco tive na infância e início da adolescência com a primeira namorada), na primeira iminência de que eu poderia perder a pessoa que me dava atenção, eu já criava uma super ansiedade que me fazia insistir enjoativamente no fato que deveríamos ficar juntos. Quando ficamos, mesmo ela mostrando um pouco mais de interesse, porém continuando evasiva, isso só despertou mais ainda minha sensação de perda: eu a tinha conseguido, mas isso não a tinha conquistado, o que aumentou minha insegurança e logo, minha insistência.

Terceiro: Por que uma mulher se afasta se você insiste muito, mesmo que ela goste de você?

Essa garota realmente tinha interesse em mim e se não o perdeu totalmente quando eu comecei a insistir, diminuiu muito. Mas por que isso acontece? É como comer chocolates. Você tem vontade de comer um chocolate (ela tinha interesse em mim), mas não quer comer porque acha que vai engordar (ela gostava de mim, mas não queria se apaixonar), o chocolate fica ali, olhando para você, chamando sua atenção até que você vai lá e come (o momento que ficamos), isso aumenta um pouco sua vontade por chocolates, já que você provou e viu como era bom comer chocolates (ela aumentou levemente o interesse por mim depois que ficamos), mas a caixa de chocolates tem muitas outras opções e eles continuam chamando a sua atenção e isso lhe incomoda, já que não quer engordar (nem se apaixonar), mas você acaba comendo um pouco contra sua vontade (outras vezes que ficamos mais as vezes que eu comecei a insistir mesmo depois que termos ficado), até que aos poucos, sua vontade de chocolate vai diminuindo. Você vai ficando saciado mais e mais e a vontade de chocolate diminui gradativamente, até que enche o saco de chocolates (ela encheu o saco da minha insistência) que não aguenta mais ver na sua frente (agora apenas nos cumprimentamos).

Quarto: A vontade volta? O desejo renasce?

Sim, claro. Como o desejo por chocolates volta mesmo depois de comermos uma caixa inteira, mas aí precisa afastar-se por um tempo do objeto que se abusou. Quando se fica longe de algo que se desejou por um tempo, a vontade volta, sabendo que era bom desejar e, consequentemente, ter novamente o objeto desejado.

Um comentário:

Isadora disse...

Menino, uma visão super otimista do Petrus. =D
Que coisa boa! Me surpreendeu.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...