sábado, 22 de janeiro de 2011

Bom dia novo dia ou canção do ano novo

Bom dia a todos. O dia começa na noite desta sexta-feira e eu consigo escrever. Por meses eu tentei e... eu digo que tentei, mas refiro-me aquelas tentativas mentais nas quais pouco ou nenhum esforço físico é realizado ou a única coisa que fiz foi acreditar que não conseguiria fazer.

Escrevi um texto bobo chamado “Não acreditar em deus me ajudou a me livrar das drogas”, que eu tirei do ar por vergonha do que eu havia escrito. O fato é que passei alguns dias isolado da maior parte da sociedade – alguns chamam isso de “rehab” - e essa experiência foi a mais interessante de toda a minha vida.

Uma das primeiras coisas que aprendi foi um termo comum em grupos anônimos de auto-ajuda chamado “poder superior”. O poder superior é, por definição, qualquer coisa externa mais poderosa do que você. Certamente para a maioria das pessoas o poder superior é um deus. Mas o que seria, para mim, algo externo e mais poderoso do que eu? Comecei a pensar no que eu deveria considerar superior a mim – quando digo “mais poderoso do que eu”, não quero dizer que acho-me mais poderoso do que os outros, o “eu” refere-se ao indíviduo, que pode ser qualquer um e não “eu mesmo”. Cheguei, enfim, a conclusão de que maior do que o indíviduo era o grupo. A união fazia-me mais forte e que se era sugerido que para facilitar o desapego às drogas era necessário apegar-se a algo que me fizesse bem, então eu deveria me apegar a grupos de pessoas com interesses semelhantes aos meus.

A partir disso comecei a ter uma visão mais abstrata de deus. Percebi que é possível interpretar de forma mais abrangente a crença que as pessoas possuem num ser perfeito e de quem se diz que o homem é sua “imagem e semelhante”.

Não posso interpretar certos eventos de forma literal – e isto era o que eu exatamente fazia com os cristãos: dizia que eles escolhiam certos trechos bíblicos e os mais polêmicos eram simplesmente interpretados da melhor maneira para justificar suas crenças. Mas quando eu os observava também escolhia certos “trechos” de seus comportamentos e excluía outros para fazer a mesma coisa: justificar que eu estava certo nas minhas críticas em relação as suas atitudes. Dou-lhes um exemplo da minha conduta, comparando como procuro ver o mundo agora:

[Um homem reza a deus, na igreja, para que consiga um emprego]

Provavelmente este homem acredita que um deus lhe ouve a prece e que dependendo de suas atitudes (ter mais fé, ser mais bondoso etc), ele será recompensado com o que deseja.

Mas eu, como não acredito em deus, não preciso interpretar esta cena desse modo, tampouco de um modo preconceituoso como “Que tolo o homem que pede algo para um ser que provavelmente não existe”. Na verdade, o homem desesperado, ao rezar, também manda uma mensagem para si mesmo. Deus é a noção de perfeição que o homem possui e pedir à Perfeição que lhe ceda algo é o mesmo que pedir para ser mais perfeito – visto que se ele fosse perfeito, como deus é, não haveria problemas de desemprego. Então pedir a deus um emprego é o mesmo que querer (desejar) que não se tenha mais problemas com desemprego e assim se esteja mais próximo da própria perfeição.

Esta “visão” trouxe-me uma nova perspectiva sobre as pessoas que acreditam em um ser superior. Eu as chamava de ignorantes por causa da minha ignorância em não saber ver certos fatos além do que eles me parecem. Depois disso puder ver que acreditar em deus pode ajudar sim as pessoas a se livrarem das drogas, pois elas talvez se esforcem mais ao saber que há uma perfeição a se alcançar.

(Howard Pyle and Katharine Pyle The Wonder Clock (New York: Harper & Brothers, 1915)

2 comentários:

Isadora disse...

São poucas as reflexöes acerca desse tema que se fazem compreesíveis e objetivas como essa. Isadora Chaves

Ananda Sampaio disse...

Bom...esse assunto poderia ser comentado por uma eternidade e ainda assim seria difícil dar um veredicto.Acreditar nesse Deus pré-concebido é difícil...prefiro acreditar em Deus do meu jeito, nas minha limitações, dentro da minha limitada visão procuro encontrar um Deus que tem sentido dentro de mim, dentro dos conceitos supremos de bondade que acredito...

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