terça-feira, 6 de abril de 2010

A Revolução da Galinha

Visitei um amigo no final de semana e conheci sua pequena criação de animais no quintal: dois coelhos, gato, um galo e uma galinha. Perguntei, sobre os últimos, se havia pintinhos. Ele me respondeu que a galinha comia os seus próprios ovos. Achei aquilo interessante e fiquei observando a galinha. Não sei dos motivos dela para comer seus próprios filhos e fiquei pensando nas cadelas que também – dizem – se alimentam de seus filhotes. Então pensei em dar um sentido humano para o canibalismo da galinha, pensei que ela se sentia presa àquele quintal, que ela estava em desespero, desejando liberdade, invejando os outros pássaros que, apesar de aves como ela, eles podiam voar. Já ela não conseguia nem mesmo saltar por cima daquele pequeno muro que a protegia do mundo exterior.

Proteger? Aprisionar. A galinha mata seus filhos para não permitir que eles vivam aquela prisão em que ela vive. Ela os mata por amor. Ou por pena. É claro que a galinha pode apenas estar com fome. Não sei.

Imaginei uma pequena Revolução dos Bichos naquele quintal. O Gato, o único que podia sair e voltar quando quisesse, é o ditador. Manda em todos sem jamais ser questionado e como é hábito dos políticos e dos gatos têm a origem, é também um gatuno. Alimenta-se melhor por poder roubar seu próprio alimento e conhece a vida do lado de fora – por isso não permite que ninguém saia, nunca, com o pretexto de que os protege. Os Coelhos são os operários. Mecânicos. Passam o dia a se alimentarem e a procriarem. Apenas isso. Ou tudo isso, segundo o ditador Gato, os Coelhos são a base da sociedade, trabalham cegamente pelo futuro da nação, já os questionadores, ah!, desabafa o Gato, estes apenas atrasam o trabalho árduo dos Coelhos.

Enfim, chegamos a Galinha, a revolucionária. Ela poderia ser como os Coelhos, procriar, alimentar-se e nada mais. Mas ela é parente dos Pássaros, que trazem notícias de fora. Os Pássaros, os jornalistas do quintal, contam que há comida por todos os lados além daqueles muros, que se pode voar para onde quiser e que não há nada melhor do que arriscar-se nos perigos do mundo, os mesmos que o Gato quer protegê-los. A Galinha, coitada, é uma revolucionária sem meios para lutar. Conversa com o Galo, que queria ser Coelho, para passar o dia inteiro em cima da Galinha. Ele não a entende. Por que ela acha ruim aquele lugar? Tem-se a tranquila proteção dos perigos de fora. A Galinha fala das notícias dos Pássaros, de como é belo o mundo lá fora, mas o Galo não entende e responde: “Mas os Coelhos são felizes!”. Ela olha para os Coelhos que todos os dias fazem a mesma coisa e não acredita na felicidade deles. Não sabe porque. A Galinha não quer mais viver ali, mas nada pode fazer, ela não pode voar, apesar das humilhantes asas que tem. A única revolução que se permite à Galinha é nunca deixar um de seus filhos viver naquele lugar.

Um comentário:

RAFAEL disse...

rpz nunca tinha visto pela esta visão.... maws ficou ineressane vou presar mais aenção no meu quintal!
rsrsrsrs

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